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sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Exibição do documentário e debate com a diretora do filme "Marighella"


No próximo dia 27 de setembro, no auditório do SINJUSC, localizado na Av. Mauro Ramos, 448 em Florianópolis, a partir das 19h, acontece a exibição do documentário "Marighella" seguida de debate com a Diretora do filme Isa Grinspum Ferraz. O evento marca o lançamento do Cineclube do SINJUSC. A entrada é franca.

Participam do debate o advogado e membro da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, Prudente José Silveira Mello, e o Presidente do Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário de Santa catarina, Claudio Del Prá Netto.

Mas quem foi esse homem, mulato, baiano, poeta, sedutor, amante de samba, praia e futebol, cujo nome foi por décadas impublicável?

Líder comunista, vítima de prisões e tortura, parlamentar, autor do mundialmente traduzido "Manual do Guerrilheiro Urbano" Carlos Mariguella atuou no principais acontecimentos políticos do Brasil entre os anos de 1930 e 1969. Foi considerado o inimigo público número um da ditadura brasileira.

O Filme dirigido por Isa Grinspum Ferraz, é uma construção histórica e afetiva desse homem que dedicou a sua vida a pensar o Brasil e transforma-lo através de sua ação.

Isa Grinspum Ferraz nasceu no Recife em 1958 e se graduou na Universidade de São Paulo em Ciências Sociais e Filosofia. Ela trabalha como coordenadora e criadora de projetos para editoriais e televisão desde 1980. Ela trabalhou na fundação Roberto Marinho por dez anos.

Subsequentemente, ela trabalhou com Darcy Ribeiro por quatro anos, escrevendo e dirigindo a "Escola pela TV" que foi televisionada pela TV Manchete. Em 1996, coordenou o Projeto Especial Núcleo da Nova TVE. Liderou a criação de uma escola de longa distância de educação superior, primeira experiência brasileira de Universidade Aberta.

Ela é uma roteirista e escreveu o premiado vídeo “Religiões Africanas no Brasil” junto com Pierre Verger e Lina Bo Bardi. Ela também dirigiu “O Povo Brasileiro”, documentário de 2001, sobre obra homônima de Darcy Ribeiro.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

País sem memória

Sem memória
Artigo do Juiz do Trabalho Alessandro da Silva, membro da Associação Juízes para a Democracia sobre um assunto importante, embora tenha pouca atenção da mídia, que é a alteração do nome de uma rodovia entre Penha e Piçarras, atualmente denominada Paulo Stuart Wright, um dos catarinenses desaparecidos durante a ditadura.

Mais do que o nome da rodovia, é uma questão de respeito à história, como está destacado no texto. O projeto de lei que altera o nome da rodovia está na mesa do governador que tem até esta quinta-feira para sancionar ou vetar.

País sem memória
O Brasil é um país sem memória. Na famosa obra “Tristes Trópicos”, dos anos 30, o sociólogo francês Lévi Strauss já denunciava que sob a pressão de fábulas progressistas, as cidades industriais da América tropical se alimentavam vorazmente do novo, sem nenhum compromisso com o seu passado histórico.

Nos últimos anos temos testemunhado inciativas que vão de encontro a essa característica nacional, que visam manter viva a lembrança de fatos que ocorreram em nosso passado, de maneira que no futuro não incidamos nos mesmos erros.

Nesse esforço vale citar a ação que buscou dar à Lei de Anistia interpretação que esteja de acordo com a nova realidade político-institucional inaugurada com a Constituição Federal de 1988. O objetivo era julgar os indivíduos que cometeram crimes em nome do Estado durante o período ditatorial de 1964 a 1988.

Como vimos, o Supremo Tribunal Federal não acolheu essa interpretação e manteve a já tradicional amnésia histórica.

Recentemente foi instalada a Comissão da Verdade, que tem a finalidade de examinar e esclarecer as graves violações de direitos humanos praticadas durante a ditadura militar, a fim de efetivar o direito à memória e à verdade histórica.

Em Santa Catarina, após intensa mobilização social, foi aprovada a Lei 15.450/2011, que denominou a rodovia que liga Penha a Piçarras com o nome de Paulo Stuart Wight. Trata-se de uma singela homenagem a um dos dez catarinenses mortos ou desaparecidos, vítimas da ditadura militar.

Nascido em Herval, atual Joaçaba, Paulo teve intensa participação nos movimentos populares e operários nos anos 60, tendo sido eleito deputado estadual em 62. Com o golpe de 64 ele foi cassado e passou a viver na clandestinidade até 1973, quando foi preso em São Paulo e levado ao DOI/CODI, na época comandada pelo Coronel Brilhante Ustra, notório torturador. Desde então Paulo passou a figurar na lista de desaparecidos. Até hoje a família não teve notícias acerca de seu destino.

Para espanto da comunidade catarinense, a Assembleia Legislativa aprovou o Projeto de Lei 199.9/2011 que altera a denominação da Rodovia Paulo Stuart Wight. Em verdade, se trata de mais um capítulo na trajetória de um país, que insiste em negar a própria história.

O Governador Raimundo Colombo, que sancionou a Lei 15.450/2011, tem até o dia 09 de agosto para decidir se sanciona ou veta o Projeto de Lei 199.9/2011. Caberá a ele escolher entre perpetuar a nossa crônica falta de memória ou mudar esse tedioso roteiro, mantendo viva a lembrança de um daqueles que deu o que tinha de maior, a própria vida, na luta pela liberdade.

A escolha certa também ficará registrada no percurso da nossa história.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Comissão da Verdade deve analisar o Estado

A Comissão da Verdade nomeada pela presidenta Dilma Roussef iniciou a sua carreira esta semana com a divulgação de uma contradição interna, apresentada especialmente pelos oligopólios dos meios de comunicação nas capas dos jornalões e em matérias de TV.

De um lado, um ex-ministro do governo FHC afirmando que todos serão investigados. De outro, a ex-advogada da agora presidenta Dilma quando ela foi presa pelo regime militar, afirmando que quem defendeu a liberdade não pode ser acusado.

A razão é mais funda e antiga do que os panos quentes que alguns querem passar no que seja o papel da Comissão. Querer colocar a resistência à ditadura brasileira no banco dos réus é propor o mesmo para as resistências francesa e italiana quando do domínio fascista e nazista.

Tanto lá como aqui, o Direito foi usurpado e a Justiça colocada a serviço da ditadura. É pacífico a todos que diante da opressão a resistência é um direito, ou não existiria a figura da legítima defesa!

O Estado brasileiro pode recontar a recente ditadura militar. Não pode é forçar a barra e acreditar que a guerrilha do Araguaia e outros atos insurgentes ocorreriam sem a mola propulsora, que foi a usurpação dos Poderes por uma parcela da caserna interessada em estabelecer o pensamento único a ferro, fogo, cadeia, tortura e perseguição.

A Comissão da Verdade, compreende-se, só existe porque o governo brasileiro tem o desejo de reconhecer os erros do Poder e pedir desculpas à Nação. Não poderia fazê-lo, portanto, em nome de quem combateu a sua agressiva e desumana intervenção.

O canal do debate sobre o que vai investigar a Comissão da Verdade, os oligopólios de comunicação, também tem sentido: não foram os empresários deste segmento que legitimaram a ditadura brasileira?

Rubens Lunge - Jornalista e escritor