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quarta-feira, 13 de março de 2013

Por que ainda lutam as mulheres?

Dia 8 de março é marcado pelas comemorações das conquistas femininas ao longo da história, mas é, sobretudo, dia de reflexões e luta. No Brasil, a equidade de gênero, embora apresente avanços, ainda é um desafio a ser superado.

Representamos mais de 51% da população brasileira. No entanto, nossa participação política é muito pequena. Na Câmara Federal, dos 513 deputados eleitos, apenas 44 são mulheres. Esses dados apontam para uma diferença gritante, que deve ser superada com medidas do estado e organização da sociedade.

Nesse sentido, a reforma política se coloca como essencial. Seus marcos, se vitoriosos do ponto de vista da equidade de gênero, apresentarão às mulheres brasileiras avanços no campo político e social. Nessa data de lutas, defendemos a ampliação dos direitos, diminuindo o abismo entre homens e mulheres, fator preponderante para alcançarmos níveis de maior desenvolvimento social e consolidarmos nossa democracia.

Nós, feministas brasileiras, também nos somamos às vozes que, em todo o mundo, se levantam contra os fundamentalismos. Hasteamos a bandeira da tolerância, da defesa dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres, da liberdade religiosa, da livre orientação sexual, contra o racismo e o preconceito em todas as suas formas. O conservadorismo, amparado por preceitos religiosos unilaterais, não pode ser a baliza de um estado democrático, laico e que deve primar pela pluralidade de ideias e ampliação de direitos.

O retrocesso não será bem-vindo a 2013, mantemos ao alto nossas bandeiras de liberdade, justiça social e tolerância. Que outros 8 de março possam ser de conquistas para as mulheres!

Clarissa Peixoto - Jornalista

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Politicamente incorreto pelo socialmente justo

Ousando e fazendo política. Foto: Ana Claudia Araújo

A rotina do centro da capital foi atropelada pela Marcha das Vadias neste 26 de maio. No sábado morno de outono, Florianópolis reverberou pela segunda vez o chamado dos movimentos feministas de capitais menos pacatas pelo mundo.

Vadias e vadios ocuparam as avenidas para denunciar o machismo nosso de cada dia. Feministas de diferentes gêneros e idades, mas essencialmente mulheres jovens, evocaram palavras de ordem simples para fazer entender a idéia revolucionária de que o machismo não pode ser aceito.

Irreverêrncia e pedagogia nas ruas. Foto: Yuri Brah
Ímã de todos os olhares, a massa irreverente atravessou o centro da cidade provocando horror, sorrisos, ira, risos, vergonha, encantamento, sentimentos diversos e controversos, mas nunca a indiferença – aquela que domina os olhares do cotidiano.

E não mexeu apenas com os brios dos distintos cavalheiros caucasianos que jogam dominó na Praça XV. A militância dos diferentes partidos e movimentos sociais (mobilidade urbana, sindicatos, juventude, comunicação, etc) pulou, escrachou, gargalhou, recompôs letras para músicas machistas. Deixou em segundo plano os logotipos institucionais e saiu revigorada.

Polemizar para educar. Foto: Yuri Brah
As vadias estremeceram as práticas militantes e romperam definitivamente com os bons modos impostos às boas moças. Foram pedagógicas em seus cartazes, bem menos agressivas do que no resto do país e mais ousadas quanto a ‘capital da qualidade de vida’ poderia suportar.

Polemizaram ao protestar em frente a igrejas e deixaram imagens e mensagens que Florianópolis ainda está digerindo. Afinal, a quem interessa o politicamente correto que não serve ao socialmente justo?

Autora: Ana Claudia Araujo - Jornalista

Este foi o segundo ano em que as vadias foram para as ruas. Veja fotos da marcha de 2011.



Marcha das Vadias de 2011. Fotos Ana Claudia Araujo

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Instalada em Santa Catarina a Secretaria Executiva da Rede Feminista


Clair Castilhos - de branco - assumiu como secretária
executiva da rede na gestão 2012/2015 Foto: Gabriel Diniz
O Auditório Deputada Antonieta de Barros da Assembléia Legislativa de Santa Catarina foi palco, no final de abril de 2012, da instalação da Secretaria Executiva da Rede Nacional Feminista de Saúde, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos. O evento foi promovido pela bancada Feminina da ALESC. A deputada Angela Albino (PCdoB), representou a atual coordenadora da Bancada, deputada Ana Paula Lima (PT), na condução da cerimônia.

A mesa foi composta por Telia Negrão, do Coletivo Feminino Plural, de Porto Alegre; Gláucia Fontoura, representando a entidade Maria Mulher - Organização de Mulheres Negras, de Porto Alegre; Mirtes Piovesan, presidente do CEDIM –Conselho Estadual dos Direitos da Mulher; Vera Lúcia Fermiano, vice-presidenta da Casa da Mulher Catarina, e Clair Castilhos Coelho, que assume como Secretária Executiva da Rede na gestão 2012/2015 além de representantes das outras regionais brasileiras. Na cerimônia, Simone Lolatto, integrante da direção nacional da União Brasileira de Mulheres (UBM), representou a presidenta da entidade Elza Campos.

Na secretaria-adjunta assumiu Scheila Sabag, atual presidenta do Conselho dos Direitos da Mulher de Florianópolis. Com a posse de Clair e Scheila, a Rede tem como sede o estado de Santa Catarina. Na secretaria regional de Santa Catarina assumiu Vera Lúcia Fermiano, da Casa da Mulher Catarina, e Raquel Felau Guisoni, da UBM, como adjunta.

Durante a cerimônia, a deputada Angela Albino afirmou: “Clair é parte de nossa história. Ela é uma inspiração todos os dias. Ela luta com o pé no barro, mas também luta no campo das idéias, unindo teoria e prática constantemente”.

Após a saudação de todas componentes da mesa, Clair fez uma brilhante exposição sobre a Rede Feminista de Saúde. “A saúde é, talvez, o mais importante foco desses controles opressivos e estereotipados, pois traz consigo o domínio do corpo e a vivência da sexualidade".

Para Clair, no início do terceiro milênio a tarefa mais urgente é a necessidade de enfrentar a extraordinária hegemonia do pensamento neoliberal, a exploração de classe exacerbada na ditadura do mercado, o fundamentalismo religioso e o misticismo, a volta/permanência de preconceitos contra a mulher e a obrigação de oferecer à população serviços de saúde dentro dos princípios e diretrizes do SUS.

"É um desafio que precisa ser enfrentado por todos e todas. É preciso ganhar a sociedade para que haja superação dessa lógica que impede o desenvolvimento humano e a justiça social. O que fica cada dia mais claro é que o capital, o patriarcado e a morte andam juntos. Há um capital da morte fortalecido pelo fundamentalismo do patriarcado. Não será preciso buscar a morte do capital e a superação do patriarcado? A ruptura é a tarefa que se impõe”, concluiu.

Fundada em 1991, a Rede Nacional Feminista de Saúde Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos é uma articulação política nacional do movimento de mulheres, feminista e antirracismo. Tem abrangência nacional, estando composta por 12 Regionais organizadas no Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Goiás, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo, Distrito Federal e Santa Catarina. A União Brasileira de Mulheres é uma das entidades feministas que integram a Rede Feminista de Saúde.

A organização tem reafirmado, ao longo destes anos, seu compromisso de defesa da saúde integral das mulheres e dos seus direitos sexuais e reprodutivos. Pela discrimilização e legalização do aborto e do Sistema Único de Saúde. Uma das preocupações mais importantes do feminismo é que o SUS seja público, universal e de qualidade, acessível a todas as mulheres.

A Rede Feminista da Saúde é filiada à Rede de Saúde das Mulheres Latinoamericanas e do Caribe – RSMLAC e à Rede Mundial de Mulheres pelos Direitos Reprodutivos.

Daniela Milidiu – Jornalista. Colaborou Raquel Felau Guisoni